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Um campo de inovação chamado “Mercado da Base da Pirâmide”

Você já ouviu falar em mercado da Base da Pirâmide? Se sim, é sinal de que você já está informado sobre uma das principais tendências de consumo no mundo do empreendedorismo. Se não, neste texto vamos te passar algumas informações essenciais sobre esse público, que podem servir de inspiração para novos empreendimentos sociais ou ainda para inovações nos seus negócios tradicionais! Vamos lá!

O termo “Base da Pirâmide” (BDP) foi criado por C. K. Prahalad e se refere a pessoas que se encontram nas classes econômicas C, D e E. O autor identificou que nações emergentes, como China, Índia, Rússia e Brasil, que possuem diversos indivíduos com baixas condições econômicas, possuem um potencial inexplorado. São bilhões de pessoas com poucos recursos individuais e necessidades não atendidas. Em conjunto, porém, o poder aquisitivo deste público é bastante grande e atrativo em termos de investimento.

Nesse sentido, existem inúmeras oportunidades de negócios nesse segmento, basta ter criatividade e um olhar mais apurado. Prahalad concentra suas ideiais nas oportunidades para multinacionais, argumentando que essas empresas são capazes de oferecer benefícios para a comunidade ao trabalhar com esse público e, em contrapartida, podem obter três importantes vantagens: uma nova fonte de crescimento da receita, maior eficiência e acesso à inovação.

Inovação? Como?

A ideia de que o público das classes C,D e E querem os produtos que sejam mais baratos é falsa. O que eles querem, e precisam, são produtos e serviços que ofereçam o melhor custo-benefício. Ou seja, um preço justo e com qualidade adequada. Neste sentido, há muita demanda neste mercado, o que desafia as empresas a criar novas formas de desenvolver os produtos, otimizar sua cadeia de produção e distribuição, etc. Dessa forma, os mercados emergentes se tornam “um canteiro de experimentação comercial e tecnológica”, e a lógica do sistema se inverte. As inovações partem dos mercados emergentes e são adotadas pelos países desenvolvidos.

Quando se trata de Negócios de Impacto Social, as oportunidades e vantagens também existem e a inovação pode ter outro formato, como a inovação disruptiva. Esse modelo sugere o desenvolvimento de produtos mais simples, que não tenham todas as funções e capacidades de um produto vendido nos mercados principais e, portanto, são mais baratos. A intenção dessa proposta é adaptar as mercadorias para as reais necessidades da população e atender um público que até então não tinha acesso ao mercado. Para exemplificar, imagine um celular. Ele tem diversas funções, capacidades, versões e preços. Para ter um custo acessível, ele pode, por exemplo, ter menos capacidade de memória e um design menos arrojado mas possibilitando conversas telefônicas e acesso à internet, que são suas funções principais.   

Diversos estudos foram e ainda estão sendo realizados para compreender melhor esse público, que possui diversas peculiaridades, como valores e comportamentos diferenciados. Ao empreendedor ou gestor, é importante pensar em como agir com o mercado da base da pirâmide de forma a criar benefícios e desenvolvimentos tanto para a empresa quanto para a sociedade.

 

Laís Mezzari e Thiago Chaves

Laís Mezzari é mestre em Administração pela ESAG/UDESC, com foco em Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental Corporativa. Junto com Thiago Chaves, é co-autora do livro “Negócios de Impacto Social: um guia prático”.

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