juros

Um antídoto para a Crise

Diante da atual situação econômica que vivemos fala-se muito da má gestão dos recursos públicos e da corrupção aviltante. Mas esquecemos de um terceiro mal que há anos nos assola: os juros abusivos – uma enfermidade que em razão da recessão faz com que o Governo Federal dificulte o acesso ao crédito para controlar a inflação e assim diminuir o consumo.

Nossos juros são obscenos frente aos de outras nações: 14,25% Brasil; 3,5% Chile; 0,5% EUA; 0,05% Dinamarca! Evidentemente, além de muitos impostos sobre produtos, pagamos excessivos juros sobre tudo que compramos.

O Brasil é um dos poucos países em que se parcela no cartão de crédito. A alta taxa do cartão de crédito é um nítido exemplo de incidência de juros. Ou seja, juros é todo valor que você não teria que pagar a mais sobre determinado montante, se tivesse dinheiro para pagar à vista!

Alguns pensam: “fiz um ótimo negócio, comprei meu carro com juros zero em 24 vezes!” Minhas perguntas sempre são: quanto pagou de despachante; quanto pagou de taxa de autorização de cadastro; quanto pagou pela abertura da conta no banco financiador, quantos serviços teve que pagar a mais para ter o financiamento “juros zero”, e ainda, se chegasse com uma proposta à vista, quanto diminuiria do valor principal?

O pior é que o maior prejudicado são os analfabetos financeiros, muitas vezes prejudicados pela ausência de educação financeira na escola. Já escutei muito: “olha, guardo o que posso na poupança, aquele dinheiro é sagrado, vai servir para os estudos do filho, mas o meu carro comprei a prazo, coube no bolso, estou pagando em 80 vezes”.

Infelizmente, no final Dona Maria vai ter pagado o equivalente a dois carros, ter um desvalorizado na garagem, o dinheiro da poupança corroído pela inflação, e os estudos do filho comprometidos.

Triste realidade, mas hoje a internet proporciona acesso a cursos gratuitos sobre planejamento financeiro que nos ajuda a ter mais consciência acerca do que realmente estamos pagando.

Precisamos ter esse discernimento, porque senão trabalharemos somente para custear impostos e juros, como um mero engodo de que tudo irá melhorar.

Mesmo diante de uma crise que corrói o bolso do brasileiro, é preciso ter esperança em um Brasil melhor. E entre as alternativas para avançar está uma educação financeira qualificada e mudanças socioeconômicas condizentes a partir do protagonismo de cada cidadão, que passa além de ter voz, a possuir um consumo mais consciente e saber escolher a melhor forma de pagamento para suas compras.

Originalmente publicado no jornal Notícias do Dia

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