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Simplicidade “sem par”

Florianópolis, eis que completas mais um ano. És uma aniversariante que sempre acolheu a todos e tem muito orgulho dos seus filhos da tua terra: dos nascidos na Carlos Corrêa e na Carmela. Enfim, fazes do teu dia momento nostálgico para quem te viu crescer, buscando ser grande como uma metrópole, mas sem deixar de respeitar o ar provinciano daquela sempre “tarde fagueira”. É bem verdade, tiveste muita história: já ganhasse título da Ilha da Magia, nos versos de Cascaes em meio às pedras do Itaguaçu, já fizeste muita gente imaginar seus folclores. Já honrastes os teus dois times de futebol disputando a Série A. No teu Carnaval contagias todos com alegria, a começar pelo Berbigão da Boca, e com muitos bonecos relembras ícones da Ilha.

Tua naturalidade sempre encantou, soubeste fazer bem dela verso e prosa. Como na do pescador de outrora, que na praia do Campeche, diz ter encontrado um escritor francês que a denominou “Champ Pêche”. Saint-Exupéry deve-te agradecer a acolhida, pois também o homenageaste com o nome de uma das tuas avenidas (Pequeno Príncipe). Sempre foste acolhedora, já diria teu linguajar, que é poesia e não importa se é italiano, paulista ou gaúcho, todos que vêm para cá querem conhecer e imitar.

Ao teu povo não relegaste a fé: entre as festas do Divino relembras tua cultura açoriana; nas pegadas do Senhor dos Passos fica a história da saudosa Desterro, abençoando com esperança todos que por aqui querem morar. Tiveste sorte: teus melhores restaurantes têm atendimento familiar, e marcas com simplicidade a gastronomia deste lugar. A tua Santo Antônio de Lisboa e o teu Ribeirão da Ilha te presenteiam com muitas ostras, o que faz de cada prato uma pérola e de teus cozinheiros um “quirido”. Tua pesca da tainha trouxe sustento a muitos nativos, ensinas na prática o que é o que colaborar e como em todo “arrastão” fazes muito celebrarem. Nas tuas dunas da Lagoa, Joaquina e Santinho proporcionaste muitas alegrias às crianças de outrora, em que com uma folha de bananeira ganhava o dia a brincar.

Alegraste também essa geração do tamanho da tua Maricota, promoveste muito boi-de-mamão e tua bernunça ganhou história. Belas eram as tuas praias escondidas, aquelas a que se chegava apenas de trilha, como a tua Lagoinha, Brava e Moçambique para em suas águas verde-cristalinas todos se banharem. Entre duas nostalgias e ideias futuristas; erros e acertos; belezas naturais e concretos verticais, sabes que tens muito mais para comemorar, mas também muito juízo para se autoplanejar. Pois é, “minha quirida”, junto com peso dos anos tens a responsabilidade de – em um futuro próximo – seres exemplo de mais desenvolvimento do que mero crescimento, para assim conciliares virtudes de uma metrópole com a tua melhor impressão digital: a tradicional e bela simplicidade “sem par”.

Publicado originalmente no jornal Notícias do Dia, 23 de março de 2016

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