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O mundo fora da “bolha”

Você já deve ter ouvido, ou quem sabe até mesmo já falou, a expressão “vivemos em uma bolha”. Essa é uma maneira mais discreta de dizer que temos diversos privilégios, e que não enfrentamos os reais problemas da sociedade. Isso não deixa de ser verdade. Para quem, como nós, tem sempre comida na mesa, uma cama confortável e um chuveiro quente, é difícil imaginar como sobrevivem as pessoas que não têm essas mesmas condições. E, mesmo no seu bairro, sua cidade, existe uma parte da população que vive essa dura realidade.

Claro que existem ainda outros problemas e discriminações na sociedade, mas, neste caso, focando especificamente na pobreza, por vezes podemos pensar: “o que eu tenho a ver com isso?”. A resposta é: muito mais do que você imagina!.

Segundo a ONU, 800 milhões de pessoas ainda sofrem com fome e pobreza em todo o planeta. Dentro deste contexto, além da questão moral de não ser digno querer que as pessoas permaneçam nessa situação, Philip Kotler, um dos mais famosos autores de marketing do mundo, levantou sete pontos para demonstrar que a pobreza não é interessante para ninguém. Muito pelo contrário. Mesmo as pessoas com mais recursos financeiros também ganham com a redução da pobreza. Vamos aos pontos:

  1. Desperdício de potencial. Por viverem na pobreza, muitas pessoas deixam de ter seus potenciais melhor utilizados, e acabam deixando de contribuir para a sociedade como poderiam. Novos Einstein’s ou Newton’s podem estar por aí, sem uma educação de qualidade para potencializar suas ideias ou sem condições para colocar em prática seus experimentos, por exemplo.
  2. Envolvimento com atividades criminosas. Para as pessoas que enfrentam a pobreza, uma das “rotas de fuga” pode ser se voltar para atividades criminosas, como roubos, prostituição e tráfico de drogas. Claro que a maioria das pessoas não segue esse caminho, mas os impactos causados são grandes, e as vítimas dessas atividades não são apenas os pobres, mas a sociedade em geral.
  3. A pobreza gera custos altos. Imagine viver em um local sem saneamento básico, com água de pouca qualidade, e sem se alimentar da forma correta. É natural que os pobres estejam mais vulneráveis a doenças e problemas de saúde, e isso acarreta em custos governamentais maiores, além de agravar a possibilidade de transmissão do problema. Como impacta a máquinta estatal, impacta também o bolso dos contribuintes.
  4. Fácil manipulação devido à falta de esperança. Os pobres enfrentam tamanha desesperança e, por conta disso, estão mais sensíveis emocionalmente. Assim, eles se tornam mais facilmente manipuláveis por qualquer demagogo que prometa salvação por meio de extremismos, e têm seu senso crítico abalado. Não à toa, Kotler afirma que “a pobreza e a desesperança são a principal fonte de terroristas suicidas que estão dispostos a trocar sua vida pelas pequenas recompensas dadas a suas famílias”.
  5. Oportunidade de mercado. Em 2006, Prahalad já previu que as classes mais baixas são grandes oportunidades de mercado. Hoje, vemos mais iniciativas nesse sentido, que também ajudam na evolução e melhor qualidade de vida para esse público. Dessa forma, ajudar os pobres a sair da pobreza também irá colaborar para aumentar a renda no resto do mundo.
  6. Relações entre países. Em um cenário mais amplo, países mais desenvolvidos deveriam se preocupar com as nações pobres, já que elas acabam sofrendo conflitos e violência que acarretam em intervenção militar externa. Essa situação já ocorreu, por exemplo, em Honduras, no Líbano, Somália e Bósnia-Herzegovina. Se houver uma relação positiva e cooperação mútua constante, esforços desse tipo deixam de ser necessários.
  7. Imigração. Decidir deixar a sua vida, a sua família e o seu país, pela possibilidade de sorte em outro lugar, não é nada fácil. Em busca de uma melhora de vida, os pobres se desesperam para imigrar para outros países ou outros estados, seja legal ou ilegalmente. O medo das nações receptoras é que os imigrantes tirem o emprego dos trabalhadores locais e também que acabem morando em favelas e colaborando para o aumento da criminalidade. Atualmente, vemos com frequência notícias como essa e, é claro, que medidas pontuais devem ser tomadas para dar suporte a esses cidadãos globais. Mas e se a situação em seu país ou em seu estado fosse boa o suficiente para que não houvesse a necessidade de se arriscar por uma vida melhor? Certamente haveria mais harmonia e cooperação na sociedade.

Esses são alguns itens que demonstram racionalmente porque devemos combater a pobreza. E diversas iniciativas podem ser adotadas para isso, seja por ações de Responsabilidade Social de Empresas, pela criação de Negócios de Impacto Social, por iniciativas do Terceiro Setor ou por Políticas Públicas. Ações realizadas estrategicamente e em conjunto têm um potencial muito maior de causar impacto na sociedade.
E você? Tem alguma ideia de como podemos colaborar para acabar com a pobreza no mundo? Deixe seus comentários abaixo!

Laís Mezzari e Thiago Chaves

Laís Mezzari é mestre em Administração pela ESAG/UDESC, com foco em Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental Corporativa. Junto com Thiago Chaves, é co-autora do livro “Negócios de Impacto Social: um guia prático”.

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